Reflexões sobre o reuso de tecidos

Quando fiquei sabendo sobre o Banco de Tecidos fiquei tão empolgada com a incrível solução que estava nascendo, que mal pude esperar para visitar a linda casa na Vila Leopoldina onde ele nasceu, e onde até hoje fica sua matriz. O papo com a Lu foi uma delícia e já na hora deu pra perceber que dali surgiria uma incrível parceria.

Desde que comecei a articular o Roupa Livre, estava inquieta com a questão da reutilização de tecidos e super impactada com os números de desperdício envolvendo esta matéria prima.

Segundo o movimento Fashion Revolution, 400 bilhões de m2 de tecido vão para o lixo anualmente. 60 bilhões só na sobra dos cortes da própria indústria. Considerando o impacto de se fazer algo novo, este desperdício é literalmente um crime contra o planeta e a vida de quem está envolvido nesta produção.

Por mais inovador ou amigo-do-planeta que um produto novo seja, usar algo que já está pronto é sempre a melhor escolha. E se pudermos re-usar de formas cada vez mais incríveis, melhor ainda.

Quando falamos em roupas e tecidos, a reciclagem se mostra muito difícil e em geral é um processo tão, ou mais, custoso quanto fazer algo do zero. Portanto o reaproveitamento do material, estendendo o seu ciclo de vida de uma forma que não exija muito a alteração do seu estado atual é essencial.

Se forem roupas, as alternativas como brechós, trocas, reformas e customizações já são muito disseminadas. Mas para os tecidos que viram lixo antes mesmo de virarem roupas ainda existem pouquíssimas alternativas. Por isso o modelo criado pelo Banco de Tecido é tão maravilhoso e precisa se espalhar pelo país e mundo a fora. Precisamos evitar que mais e mais toneladas de material sejam incineradas ou empilhadas em lixões antes de terem sido usadas.

Para os criadores de roupas e de outras peças que envolvem tecidos, minha dica é: busquem se aproximar do Banco, tentem entender como incluir este formato de repensar resíduos em suas produções. De quem faz artesanato como hobby às grandes indústrias, todos podem se incluir nesta cadeia. E para os consumidores, como sempre, vamos buscar comprar o necessário e de quem busca este tipo de alternativa.

Por Mari Pelli | Roupa Livre