Era uma vez um Tecido Xadrez

Quem nunca usou xadrez, que se acuse agora! Presente na imensa maioria dos guarda-roupas, a padronagem xadrez tem uma história looooooonga de vida e uma porção de variações! Muito antes das camisas country, essa padronagem já fazia história.

Algumas descobertas arqueológicas, por exemplo, identificaram padronagens produzidas com fios de lã cruzados em escavações onde foram encontrados artigos dos povos celtas. Há quase trezentos anos, lá pelo início do século XVIII, os escoceses que viviam nas montanhas desenvolveram um código de vestuário para ajudar a identificar e fortalecer a união dos clãs: criando um padrão de listras horizontais e verticais, que formavam espécies de quadrados, para cada um. A maneira como elas se cruzavam e suas diferentes cores correspondiam a cada clã, e os highlanders (Sim! eles existiram MESMO!) levavam estampado no Kilt a padronagem de seu clã de origem. Foi assim até que o uso do Kilt foi proibido, depois da batalha entre escoceses e ingleses, mas isso é outra looonga história! ;)

Mas vocês sabiam que existem muitas variações de xadrez? O madras, o príncipe-de-gales, o pied-de-poule, o vicky e os tartans são as principais! Não precisa se confundir, não! A gente te explica a diferença entre elas e conta um pouquinho como cada uma foi aparecendo por esse mundão dos tecidos! <3

Madras - Está SEMPRE na moda e geralmente aparece nas camisas esportivas masculinas. O nome vem da cidade de Madras, na Índia, onde foram confeccionadas as primeiras versões dessa padronagem, que abusa das cores e desenhos.

Príncipe-de-gales - O nome é uma homenagem ao Príncipe Eduardo VII, que - sempre muito elegante - começou a usar essa variação de xadrez, introduzindo ela na moda da época. Originalmente era obtido pela trama dos fios de lã nos teares, e foi por muito tempo usado exclusivamente como estamparia de moda masculina.

Pied-de-poule - Ou “pé-de-galinha”, é aquele xadrez bem miudinho. O nome tem a ver com o formato da estampa, que mais parecem pegadas de galinha. Se os desenhos formados forem maiores a padronagem é chamada de pied-de-coq (pé-de-galo).

Vichy - Ou o famoso, o queridinho, o maravilhoso: xadrez “piquenique”. É composto de pequenos quadriculados que formam o xadrez combinado com a cor branca e uma segunda cor. O nome homenageia a cidade francesa de Vicky, famosa pela produção de tecidos com padronagens xadrezes. Ao contrário do que o imaginário lúdico sugere, não foi o cesto da chápeuzinho que deixou esse tipo de xadrez famosão. Foi o vestido MARAVILHOSO que a Brigitte Bardot usou nos anos 50, quando casou com Jacques Charrier! <3

Tartan - Esse é aquele xadrez com padrão escocês, normalmente encontrado em tecido de lã ou algodão. Antes ser considerado um ESTILO de xadrez, tartan também era um outro nome para o Kilt. Como essa padronagem é cheia de história e tradição, algumas empresas registraram seus próprios desenhos de tartans. Um dos mais famosos é o belíssimo tartan da Burberry.

Deu pra ver que o xadrez é um tecido super antigo, mas, assim como outras padronagens clássicas que a gente já mostrou por aqui, ele continua sendo MEGA atual e usado no mundo inteirinho! Sem falar que ele alegra vários momentos da nossa vida, como a festa junina da escola, o piquenique entre amigos e a fantasia de lenhador no dia das bruxas!! Hahahaha! Aqui no banco a gente ama e se diverte!

Texto por Banco de Tecido | MAFI Comunica

Como nasceram as bolinhas?!

As nossas amadas bolinhas começaram a salpicar as roupas no finalzinho do século XIX, lá no Reino Unido, mas ninguém sabe dizer ao certo como foi que elas apareceram. Tem gente que diz que a estampa ficou popular com a chegada de imigrantes e da Polka - sim! a dança polonesa - na América e que foram os seus movimentos circulares que inspiraram a criação da estampa, por isso o nome americano dela: polka dots!

Tem também quem acredite que as bolinhas foram fruto da imaginação de Walt Disney, que estampou com elas o vestido da Minnie Mouse nos anos 20! =]

Os tecidos de bolinhas - poás, petit-pois, polka dots - ainda nos fazem lembrar de muitas épocas diferentes, em especial os anos 50, onde TODO MUNDO usava: divas do cinema, crianças, a mulherada toda, os homens e as maravilhosas pin-ups americanas! Ah! Não podemos esquecer das exuberantes bailarinas de flamenco, com suas batas de cola e saias preenchidas com babados e lindamente estampadas com as nossas amadas bolinhas!  <3

Não é a toa que estampa de bolinhas virou um dos maiores clássicos da moda e da indústria têxtil! Não tem quem resista ao seu charme, aqui no Banco a gente ama combinar com texturas, tecidos e cores diferentes. Nunca fez isso? Vem nos visitar e fazer com a gente!

Texto por Banco de Tecido | MAFI Comunica

Atrás das Listras!

Sabia que por muuuuito tempo as nossas amadas listras foram associadas com coisas negativas? Pois é! Até meados do século XV elas eram usadas para identificar bandidos, loucos e doentes. Como também era vestida por condenados, carrascos e pessoas que eram consideradas marginais, por algum motivo da época, as listras - e quem elas vestiam - acabavam sendo tratadas com muito preconceito! Mais tarde, chegaram no ambiente doméstico! Começaram a aparecer em pijamas e roupas de banho, mas ainda eram consideradas secundárias por estamparem as roupas dos empregados e escravos.

Foi com o romantismo que todo mundo começou a se encantar com as listras! Afinal, elas passaram a representar os ideais de juventude e liberdade! Só não pensa que depois disso a vida das listras já estava ganha! A grande reviravolta que fez das listras as novas queridinhas da moda aconteceu beeeem mais tarde! Foi a ousadia de personalidades, como Pablo Picasso e Coco Chanel, em se vestir de listrado em ocasiões formais e cotidianas que fez o mundo todo prestar atenção na sua beleza. Hoje elas estão por tudo! Vestem quem quiser e como quiser, abraçando todas as variações possíveis do jeitinho que só uma boa listra consegue! <3

por Banco de Tecido | MAFI Comunicação

fotos por Jonnatas Souza

Falando de Flores!

Quando a gente fala de flores, sempre lembramos de coisas boas, não é?

É um ótimo presente de aniversário para qualquer pessoa, a celebração do nascimento de uma criança… e quando o coração bate forte, então? Elas estão sempre lá!

A idéia de tecido floral surgiu lá pelo século XIV na Itália, mas só chegou aqui no Brasil em 1800, nas estampas do algodão que era importado da Índia. Aliás, a Índia é considerada o berço da estamparia, e naquela época os motivos florais eram os mais produzidos. Mas na moda ele tomou força e importância mesmo lá pelo fim do século XIX. A causa disso? O Art Nouveau, movimento artístico que buscava inspiração nas formas da natureza.

E nas estampas dos tecidos vale estilizado, valem as flores realistas, bem alegres, bem graúdas e também as discretinhas, miudinhas! O importante é que as flores toquem o nosso imaginário e estejam presentes nas nossas vidas, nas roupas, nos presentes, na casa, porque flor tá sempre na moda, é sempre atual. Ah, e tá valendo para qualquer idade, até dá uma rejuvenescida e a gente ADOOORAA! <3

Reciclagem de tecido: conheça um pouco dos processos de reaproveitamento

Sabemos que são inúmeros os processos de reciclagem, sendo os mais conhecidos os do plástico, papel, vidros e alumínio. Mas existe também a reciclagem de tecidos, que consiste basicamente na reutilização de resíduos têxteis para transforma-los novamente em fios.
Este processo, que pode ser feito de forma artesanal ou industrial, é realizado a partir de retalhos de roupas e tecidos usados no dia a dia, sobras das indústrias têxteis e de outras empresas como, por exemplo, as confecções.

A reutilização das sobras de tecido para a confecção de produtos e roupas é o processo mais artesanal de reciclagem. Além de ser nossa paixão e atividade, aqui no Banco, acaba sendo uma alternativa inteligente que amplia a vida útil dos tecidos produzidos, modifica e incentiva os diferentes processos criativos para a reutilização destes tecidos, reduz o impacto ambiental por evitar novas produções de tecido desnecessárias e auxilia na manutenção de uma rede de pessoas que pensam e vivem buscando alternativas melhores e mais sustentáveis para o seu negócio!

O processo industrial é um tanto mais complexo, ainda pouco explorado no nosso país e se divide em uma série de etapas que a gente listou pra vocês entenderem melhor:

Separação: retalhos em bom estado são separados por cor, matéria-prima e comprimento de fibra;
Trituração: uma máquina trituradora rasga os tecidos já separados em pedaços muito pequenos, até ficarem praticamente desmanchados;
Beneficiamento: é adicionado poliéster ao tecido triturado, em uma outra máquina que mistura os dois produtos formando fibras mistas;
Fiação: O material passa por uma maçaroqueira, máquina que enrola a fibra de algodão em uma bobina, e por um filatório. A fibra é transformada em fio;
Tecelagem: O fio reciclado é transformado em tecido novamente;
Tingimento: O tecido é tingido com a cor desejada, caso necessário.

Vejam que, assim como a maior parte dos processos produtivos que geram resíduo, o tecido pode ser reciclado, gerando, inclusive, benefícios para as empresas parceiras e comunidades envolvidas. Seja pela reutilização de excedentes ou pelo processo industrial, a reciclagem de tecido reduz o impacto ambiental, economiza matéria-prima, melhora a limpeza da região, aumenta a vida útil dos aterros sanitários e gera muitos empregos em diferentes pontos da cadeia. A gente só vê vantagens nisso, e vocês?


Por MAFI | Banco de Tecido

Reflexões sobre o reuso de tecidos

Quando fiquei sabendo sobre o Banco de Tecidos fiquei tão empolgada com a incrível solução que estava nascendo, que mal pude esperar para visitar a linda casa na Vila Leopoldina onde ele nasceu, e onde até hoje fica sua matriz. O papo com a Lu foi uma delícia e já na hora deu pra perceber que dali surgiria uma incrível parceria.

Desde que comecei a articular o Roupa Livre, estava inquieta com a questão da reutilização de tecidos e super impactada com os números de desperdício envolvendo esta matéria prima.

Segundo o movimento Fashion Revolution, 400 bilhões de m2 de tecido vão para o lixo anualmente. 60 bilhões só na sobra dos cortes da própria indústria. Considerando o impacto de se fazer algo novo, este desperdício é literalmente um crime contra o planeta e a vida de quem está envolvido nesta produção.

Por mais inovador ou amigo-do-planeta que um produto novo seja, usar algo que já está pronto é sempre a melhor escolha. E se pudermos re-usar de formas cada vez mais incríveis, melhor ainda.

Quando falamos em roupas e tecidos, a reciclagem se mostra muito difícil e em geral é um processo tão, ou mais, custoso quanto fazer algo do zero. Portanto o reaproveitamento do material, estendendo o seu ciclo de vida de uma forma que não exija muito a alteração do seu estado atual é essencial.

Se forem roupas, as alternativas como brechós, trocas, reformas e customizações já são muito disseminadas. Mas para os tecidos que viram lixo antes mesmo de virarem roupas ainda existem pouquíssimas alternativas. Por isso o modelo criado pelo Banco de Tecido é tão maravilhoso e precisa se espalhar pelo país e mundo a fora. Precisamos evitar que mais e mais toneladas de material sejam incineradas ou empilhadas em lixões antes de terem sido usadas.

Para os criadores de roupas e de outras peças que envolvem tecidos, minha dica é: busquem se aproximar do Banco, tentem entender como incluir este formato de repensar resíduos em suas produções. De quem faz artesanato como hobby às grandes indústrias, todos podem se incluir nesta cadeia. E para os consumidores, como sempre, vamos buscar comprar o necessário e de quem busca este tipo de alternativa.

Por Mari Pelli | Roupa Livre

A origem do Linho.

A planta que dá origem ao Linho é muito versátil. Cresce rápido, dá uma florzinha linda que logo se despetala. É então época de colheita. Dela retiramos insumos medicinais, um raro óleo usado para pintura e suas fibras, que dão origem ao tecido de Linho. 

 
 

A data exata das primeiras peças de linho fiadas à mão, no entanto, continua a ser um mistério. Há evidências deste tecido já sendo feito na Mesopotâmia e na Turquia, por volta de 7000-8000 aC. O linho cresce nativo às margens no Nilo e os antigos já sabiam muito bem o que fazer com ele. Ao longo da história os egípcios giraram fortuna comercializando versões deste tecido: velas de barco de alta resistência, diferentes qualidades de bandagens para mumificação, linho índigo rústico, linho púrpura, linho alvejado para os sacerdotes... Existia um linho tão finamente fiado, reservado apenas para os monarcas, que só era possível identificar sua trama com lente de aumento. O Linho foi usado por Príncipes, Reis e Semideuses, por toda Ásia, Oriente Médio, Grécia e Europa antiga. Até o Santo Sudário é de linho! O que prova a versatilidade deste tecido, de rústico e forte, a fino e delicado serve a Patrícios e Plebeus. 

O linho é cheio de histórias, em muitas épocas e culturas. Vale pesquisar e conhecer. 

Tem pouca coisa sobre o assunto em português, portanto aí vão dois bons links em inglês diretamente dos maiores produtores de linho.
http://belovedlinens.net/fabrics/Traditional_linen.html 

http://www.libeco.com/en/about-linen/from-flax-to-linen.aspx

Escrito por: Lu Buneo e Carolina Moraes 

O Linho hoje.

Hoje, por força da modernidade, o linho perdeu muito espaço. Por ser de baixo grau de resiliência (ou seja: amassa muito) a turma prefere não usar. Mas o que não se divulga é que este é o melhor tecido pra se ter em contato com a pele, o mais ecológico no plantio e no processo. E que é chic demais, sobretudo se usado amassado! Ele está sempre presente nas coleções de verão dos mais renomados estilistas. 

São várias as espécies de linho existentes e dentre elas as destinadas ao plantio das fibras de tecidos são especialmente selecionadas. Diz se que as melhores sementes são as holandesas. A França e a Bélgica detêm a melhor tecnologia de plantio e processamento do linho gerando um material de alta qualidade. 

 
 

Seu plantio exige muito cuidado com o preparo da terra, é necessário colher o linho à mão; os talos são amarrados com cuidado e empilhados em campos abertos. Depois penteados para a retirada das flores e sementes. A fibra que usamos para tecer mora entre o graveto interno e a casca. Para sua extração é preciso um processo de maceração, que consiste em colocar os feixes da planta colhida na água até que a casca esteja mole o suficiente. Depois é retirado o caule interno sobrando apenas as fibras que serão fiadas e tecidas. Conta-se que na Irlanda este processo é feito até hoje batendo com a planta nas costas de uma cadeira. 

Links com mais informações sobre o Linho:

Desfilando no Verão Rio 2015
Produção manual
Produção industrial

Escrito por: Lu Bueno e Carolina Moraes 

Feltro - De onde veio e para onde vai.

A arte de fazer feltro teve origem na Ásia. Resquícios de feltro foram encontrados na República de Altai… Rússia. Ele é o mais antigo “não tecido” que se tem registro. Apesar deste achado datar de 600 a.C. cientistas afirmam que os homens já conheciam a fabricação de feltro há muito mais tempo do que isso.

Diz a lenda que na Arca de Noé, por causa das altas temperaturas, as ovelhas perdiam muito rápido sua lã. Juntava-se aos tufos do chão a urina, a pateada dos animais e lá estava formado um grosso tapete de feltro no chão da arca, que aquecia e protegia da umidade.

O feltro, diferente dos processos de urdidura (tecido plano) ou entrelaçamento (malha) é feito por aglomeração.  O tecido é formado através de agulhas que entrelaçam os tufos de lã de maneira irregular ou pela fricção de lubrificantes como água e sabão normalmente feito com azeite puro.

O feltro é um material natural (lã) utilizado no artesanato, na moda e na área industrial. Isolador que funciona como regulador de umidade, repelente a água, abafador do som e de luz ou seja, é um material bastante versátil.